Jurisprudência

Jurisprudência Ambiental

Decisões selecionadas dos principais tribunais do Brasil, com análise estruturada: fato, questão jurídica e resultado

Acompanhe diariamente as decisões mais relevantes sobre direito ambiental e agroambiental dos tribunais brasileiros. Cada julgado é apresentado com um resumo estruturado que facilita a compreensão: o fato que originou a demanda, a questão jurídica enfrentada pelo tribunal e o resultado da decisão.

520 julgados selecionados e analisados

Última atualização: 05/11/2026 às 04:14

04/11/2026 TRF-1 Ação Civil Pública Cível
Processo 1007676-19.2020.4.01.3200

Desmatamento de 117 hectares: Justiça Federal inicia cumprimento de sentença

7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da SJAM

Fato

Em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal e pelo IBAMA, discutiu-se o desmatamento ilegal de 117 hectares na Amazônia, atribuído a um particular. A sentença de mérito, proferida em novembro de 2024, julgou parcialmente procedentes os pedidos e condenou o réu a recuperar a área degradada mediante PRAD aprovado pelo IBAMA, a se abster de usar o local e a indenizar os danos materiais e morais coletivos, com valores a apurar em liquidação.

Questão jurídica

Após o trânsito em julgado do acórdão que negou provimento à apelação do réu e rejeitou seus embargos de declaração, cabia ao juízo definir as providências para a fase executiva. A questão era delimitar os atos de efetivação da tutela específica das obrigações de fazer e não fazer ambientais e a forma de intimação do executado representado pela Defensoria Pública da União.

Resultado

A juíza federal determinou o início do cumprimento de sentença e a intimação do requerido, por carta com aviso de recebimento, para comprovar em 15 dias o cumprimento das obrigações de fazer e não fazer, sob pena de multa mensal de R$ 1.000,00 limitada a R$ 50.000,00. Também intimou os exequentes a apresentar o demonstrativo atualizado do crédito relativo à obrigação de pagar, autorizou a execução das medidas de recomposição por terceiros às expensas do devedor em caso de mora e mandou alterar a classe processual para cumprimento de sentença.

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25/09/2026 STJ Agravo em Recurso Especial
Processo 2163967-22.2025.8.26.0000

STJ: laudo pericial com drone e astreintes em ACP ambiental (AREsp 3244467/SP)

SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO

Fato

Em ação civil pública ambiental movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, o réu foi condenado a retirar espécies exóticas e culturas de subsistência introduzidas na área degradada e a restaurar integralmente as condições primitivas da vegetação, sob pena de multa diária, além de obrigação de não fazer consistente na paralisação das atividades degradadoras. Na fase de cumprimento de sentença, perícia judicial constatou que a área apresentava apenas vegetação em regeneração natural, sem plantio compensatório ou recuperação induzida, e apontou a necessidade de Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O juízo acolheu parcialmente a impugnação, fixou multa coercitiva em R$ 500.000,00 e determinou a comprovação da elaboração do PRAD.

Questão jurídica

Discutiu-se se houve cerceamento de defesa e violação do padrão legal de controle da prova técnica (arts. 473, II e III, e 477, § 2º, I, do CPC/2015) ao se admitir laudo pericial elaborado de forma remota, com imagens aéreas captadas por drone e sem vistoria presencial, como prova do descumprimento da obrigação de fazer. Discutiu-se também a proporcionalidade do valor da multa cominatória e a alegada omissão no julgamento dos embargos de declaração (art. 1.022, II, do CPC/2015).

Resultado

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou provimento ao agravo de instrumento, assentando que o laudo pericial, produzido sob o crivo do contraditório, não foi infirmado por elementos técnicos idôneos e que a multa cominatória, já reduzida anteriormente, deveria ser mantida diante da persistência do descumprimento. O recurso especial foi inadmitido na origem com fundamento na Súmula 7/STJ e na ausência de violação do art. 1.022 do CPC, e o agravo em recurso especial foi submetido ao Ministro Afrânio Vilela (AREsp 3244467/SP – 2026/0162416-2, STJ, decisão de 25/09/2026), que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento, por não haver omissão no acórdão e porque rever o laudo pericial e a multa exigiria reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ.

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23/03/2026 STJ Agravo em Recurso Especial
Processo 10019095520208260553

STJ não conhece agravo e mantém dever de recompor APP e reserva legal em SP

SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO

Fato

Proprietários rurais do interior de São Paulo foram acionados pelo Ministério Público estadual em ação civil pública por intervenção e supressão irregular de vegetação em área de preservação permanente, ausência de reserva legal devidamente instituída e demarcada, além de danos ao solo com ocorrência de erosão e assoreamento. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a procedência da ação, determinando a recomposição das áreas degradadas e ampliando para 180 dias o prazo de apresentação do Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O STJ não conheceu do agravo dos proprietários.

Questão jurídica

O caso envolve a discussão sobre eventual cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide sem produção de prova pericial, o interesse de agir do Ministério Público diante da inscrição no CAR e da alegada adesão dos proprietários ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), e a obrigatoriedade de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel mesmo após a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O STJ foi instado a examinar se o acórdão paulista violou dispositivos do CPC e do Código Florestal (Lei n. 12.651/2012).

Resultado

O agravo em recurso especial foi interposto contra a inadmissão, na origem, do recurso especial manejado pelos proprietários. O acórdão do TJSP reformou parcialmente a sentença apenas para ampliar para 180 dias os prazos de apresentação do PRAD e do projeto de reserva legal, mantendo as obrigações de recomposição de APP, instituição de reserva legal de 20% e conservação do solo, esta no prazo de 60 dias. A relatora, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, em decisão monocrática, não conheceu do agravo, porque os agravantes não impugnaram especificamente todos os fundamentos da inadmissão, e determinou a majoração em 10% dos honorários eventualmente já fixados.

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