Jurisprudência

Jurisprudência Ambiental

Decisões selecionadas dos principais tribunais do Brasil, com análise estruturada: fato, questão jurídica e resultado

Acompanhe diariamente as decisões mais relevantes sobre direito ambiental e agroambiental dos tribunais brasileiros. Cada julgado é apresentado com um resumo estruturado que facilita a compreensão: o fato que originou a demanda, a questão jurídica enfrentada pelo tribunal e o resultado da decisão.

517 julgados selecionados e analisados

Última atualização: 04/11/2026 às 04:14

28/10/2026 TRF-6 Apelação Cível
Processo 6005138-94.2025.4.06.3804

TRF6 mantém anulação de autos do ICMBio por falta de prova de dano em parque

SEC.GAB.32 (Des. Federal MARCELO DOLZANY DA COSTA)

Fato

Proprietário de imóvel rural situado em São João Batista do Glória/MG, dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Canastra em área ainda não regularizada, foi autuado pelo ICMBio em 2012, com fundamento no art. 91 do Decreto nº 6.514/2008, pela construção de um chalé de aproximadamente 36 m². Em 2024 foi lavrado um segundo auto de infração por alegado descumprimento do embargo imposto na fiscalização originária, do qual decorreram CDA, protesto e inscrição em cadastro restritivo. Em ação anulatória, a sentença declarou a nulidade dos dois autos e de seus efeitos, determinou a retirada da restrição creditícia, impôs obrigação de não fazer à autarquia e a condenou a pagar R$ 10.000,00 por danos morais.

Questão jurídica

Discutiu-se se a ausência de desapropriação do imóvel afasta a subsistência da unidade de conservação e o poder de polícia do ICMBio, e se a autuação fundada no art. 91 do Decreto nº 6.514/2008 — que tipifica causar dano a unidade de conservação — prescinde da demonstração concreta do dano ambiental. Também se examinou a repercussão da invalidação do primeiro auto sobre o embargo dele decorrente, sobre o segundo auto lavrado por seu descumprimento e sobre a CDA, o protesto, a inscrição restritiva e a condenação por danos morais.

Resultado

A 3ª Turma do TRF6, por unanimidade, negou provimento à apelação do ICMBio e manteve integralmente a sentença, majorando os honorários advocatícios de 10% para 12% sobre a mesma base de cálculo. O colegiado reconheceu que a ausência de desapropriação não extingue nem reduz a unidade de conservação e não afasta, em caráter geral, o poder de polícia da autarquia, mas concluiu que faltou demonstração concreta do dano exigido pelo tipo administrativo invocado. Invalidado o auto originário, não subsistiram o embargo, o segundo auto, a CDA, o protesto e a restrição creditícia, mantida a indenização por danos morais de R$ 10.000,00.

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04/09/2026 STJ Recurso Especial
Processo 0000241-51.2019.4.01.3101

STJ mantém multa do ICMBio e afasta prescrição intercorrente em Resex

SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO

Fato

O ICMBio lavrou o auto de infração nº 028343-A, em 01/02/2011, contra uma empresa de energia elétrica, pela instalação de obra sujeita a licenciamento ambiental — escavação de buracos para implantação de postes de energia elétrica — no interior da Reserva Extrativista do Rio Cajari, sem anuência do órgão gestor da unidade de conservação. A empresa ajuizou ação ordinária buscando anular a autuação, alegando prescrição intercorrente, ausência de nexo causal e desproporcionalidade da multa.

Questão jurídica

Discutia-se se a demora na apreciação do recurso administrativo, interposto em 16/06/2014 e julgado em 07/12/2018, configurava prescrição intercorrente nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999, bem como se a concessionária poderia ser responsabilizada pela ausência de licenciamento atribuída, por convênio, à Companhia de Eletricidade do Amapá no âmbito do programa 'Luz para Todos'. Debatia-se ainda a alegada violação à razoabilidade e à proporcionalidade na dosimetria da multa, com base no art. 66 do Decreto nº 6.686/2008.

Resultado

A Ministra Regina Helena Costa, do Superior Tribunal de Justiça, em decisão monocrática no REsp 2287925/AP (2026/0199383-5), de 04/09/2026, conheceu parcialmente do recurso e, nessa extensão, negou-lhe provimento, reconhecendo que o acórdão do TRF da 1ª Região está alinhado à jurisprudência dominante da Corte sobre prescrição intercorrente administrativa. Ficou assentado que os atos de diligência realizados em 2017 e o despacho interlocutório proferido antes do julgamento do recurso caracterizam impulsionamento do procedimento, afastando a paralisação por mais de três anos. Mantido, assim, o acórdão que reconheceu a higidez do auto de infração e a proporcionalidade da penalidade, com honorários majorados na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015.

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