Jurisprudência

Jurisprudência Ambiental

Decisões selecionadas dos principais tribunais do Brasil, com análise estruturada: fato, questão jurídica e resultado

Acompanhe diariamente as decisões mais relevantes sobre direito ambiental e agroambiental dos tribunais brasileiros. Cada julgado é apresentado com um resumo estruturado que facilita a compreensão: o fato que originou a demanda, a questão jurídica enfrentada pelo tribunal e o resultado da decisão.

520 julgados selecionados e analisados

Última atualização: 05/11/2026 às 04:14

08/10/2026 STJ Recurso Ordinário em Habeas Corpus
Processo 6006475-50.2026.4.06.0000

STJ mantém tornozeleira em investigação de garimpo ilegal de turmalina em MG

SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL

Fato

No curso de investigação sobre exploração mineral clandestina de turmalina e cristal em área rural no interior de Minas Gerais, foram impostas ao investigado medidas cautelares diversas da prisão: monitoração eletrônica, comparecimento bimestral em juízo, proibição de acesso às áreas de lavra investigadas, restrição de circulação de veículo e indisponibilidade de bens e valores. A apuração envolve os delitos do art. 2º da Lei nº 8.176/1991 (usurpação de bem da União) e do art. 55 da Lei nº 9.605/1998 (extração de recursos minerais sem autorização). O Tribunal Regional Federal da 6ª Região manteve as cautelares, e o investigado recorreu ao Superior Tribunal de Justiça.

Questão jurídica

Discutiu-se se a manutenção das medidas cautelares pessoais, em especial a monitoração eletrônica, estaria desprovida de fundamentação concreta, contemporânea e proporcional, em violação aos arts. 282, I e II, 315, § 2º, e 319 do Código de Processo Penal. Também se examinou se a imposição das restrições configuraria antecipação de pena, com ofensa à presunção de inocência.

Resultado

Em decisão monocrática, o relator no Superior Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso ordinário em habeas corpus, mantendo integralmente as medidas cautelares, inclusive a monitoração eletrônica. Entendeu que a decisão de origem individualizou a conduta e apresentou justificativa idônea ligada à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal, não havendo ilegalidade flagrante que autorizasse ordem de ofício. A alegação de falta de contemporaneidade não foi apreciada, por não ter sido examinada pelo tribunal de origem, sob pena de supressão de instância.

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03/09/2026 STJ Recurso Ordinário em Habeas Corpus
Processo 6006393-19.2026.4.06.0000

STJ mantém tornozeleira em investigação de garimpo ilegal de turmalina em MG

SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL

Fato

A Operação Coronéis de Murta, da Polícia Federal, apurou estrutura de exploração mineral clandestina de turmalina e cristal na região da Fazenda Água Branca, em Coronel Murta/MG, em atividade exercida desde pelo menos 2019 sem autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) e sem licenciamento ambiental, com uso de explosivos, maquinário pesado, geradores, motocompressores, túneis subterrâneos profundos ('caixas americanas') e alojamentos precários. Investigado pelos crimes do art. 2º da Lei nº 8.176/1991 e do art. 55 da Lei nº 9.605/1998, o recorrente — proprietário de terras confinantes à fazenda — teve indeferido o pedido de prisão preventiva e, em substituição, recebeu medidas cautelares diversas, entre elas monitoração eletrônica, proibição de acesso às áreas de lavra e comparecimento bimestral em juízo. Fiscalizações da PMMG e da SEMAD identificaram mais de vinte garimpeiros e equipamentos voltados à continuidade da atividade ilícita.

Questão jurídica

Discutiu-se, no RHC 242753/MG (2026/0287871-6), relator Ministro Og Fernandes, Superior Tribunal de Justiça, decisão de 3/9/2026, se as medidas cautelares diversas da prisão impostas ao investigado estavam concreta e contemporaneamente fundamentadas, à luz do art. 282, I e II, do Código de Processo Penal e do art. 93, IX, da Constituição Federal. Debateu-se ainda a excepcionalidade da monitoração eletrônica prevista no art. 319, IX, do CPP. O pedido de transferir o comparecimento bimestral para comarca mais próxima, diante dos 902 km de deslocamento alegados pela defesa, não foi examinado pelo STJ, porque o Tribunal de origem não o apreciou.

Resultado

O relator indeferira o pedido liminar e o Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. Em decisão monocrática, o relator negou provimento ao recurso. Reconheceu que as cautelares foram lastreadas em elementos concretos da investigação — laudos periciais da Polícia Federal, autos de infração ambiental, relatórios de fiscalização e depoimentos de trabalhadores —, afastou a alegação de fundamentação genérica e de antecipação de pena e manteve as restrições impostas ao investigado. O pedido de mudança do local de comparecimento não foi examinado, porque o Tribunal de origem não o apreciou.

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