Seguro agrícola negado: prazos novos, motivos de recusa e como reverter a negativa

Para o produtor que perdeu a lavoura por seca, chuva ou geada e recebeu da seguradora uma recusa ou uma indenização menor do que a perda.

Atualizado em 27/10/2026 | 16 min de leitura | Por Diovane Franco, advogado

Com o seguro agrícola negado, o produtor pode pedir reconsideração e, depois, cobrar a indenização na Justiça. Pela Lei 15.040/2024, a seguradora tem 30 dias para decidir sobre a cobertura, a recusa precisa ser expressa e motivada e o prazo para processar é de um ano da ciência da recusa. No seguro rural, a apólice deve prever regulação em 15 dias e pagamento em 30.

Seguro agrícola negado: o que fazer e em quanto tempo

Seguro agrícola negado pode ser contestado. A seguradora tem 30 dias para decidir sobre a cobertura, e a recusa precisa ser expressa e motivada (art. 86 da Lei 15.040/2024); no seguro rural, a apólice deve prever regulação em até 15 dias e pagamento em até 30 (art. 56, § 4º, da Lei 8.171/1991). O prazo para processar é de um ano, contado da ciência da recusa (art. 126, II, da Lei 15.040/2024).

Essas regras valem para os contratos sob a lei nova, em vigor desde dezembro de 2025. Em contratos e sinistros anteriores, o prazo de um ano conta da negativa e o pedido de reconsideração não suspende a contagem (STJ, REsp 2.159.932, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, 2025). Por isso o primeiro passo, ao receber a negativa, é anotar a data em que ela chegou e descobrir qual regime se aplica à sua apólice.

O que mudou no seguro rural com as leis de 2024 e de 2026

Os artigos do Código Civil que regulavam o contrato de seguro, do art. 757 ao art. 802, foram revogados, assim como o prazo de um ano que estava no art. 206, § 1º, II, do Código Civil (art. 133 da Lei 15.040/2024). A Lei 15.040/2024 foi publicada em 10/12/2024 e entrou em vigor um ano depois (art. 134 da Lei 15.040/2024); ela rege o contrato de seguro em todas as modalidades (art. 4º da Lei 15.040/2024), inclusive, no que couber, os seguros regidos por leis próprias (art. 4º, § 2º, da Lei 15.040/2024).

No seguro rural, a Lei 15.526/2026, de 29/09/2026 e em vigor desde a publicação (art. 7º da Lei 15.526/2026), reescreveu o capítulo da política agrícola sobre o tema. A apólice de seguro rural deve respeitar a Lei 15.040/2024 e conter, entre outras, cláusulas com:

  • a lista de documentos obrigatórios para regular o sinistro, objetiva e limitada ao que depende só do segurado (art. 56, § 4º, I, e § 5º, da Lei 8.171/1991);
  • o prazo mínimo para o produtor avisar a data da colheita, do corte ou da liberação da área, quando a regulação depender de vistoria presencial (art. 56, § 4º, II, da Lei 8.171/1991);
  • até 15 dias, contados do aviso de sinistro, para regular os sinistros que não dependam da colheita para a vistoria (art. 56, § 4º, III, da Lei 8.171/1991);
  • no máximo 30 dias para liquidar, contados da entrega dos documentos ou da vistoria, o que ocorrer por último (art. 56, § 4º, IV, da Lei 8.171/1991).

A mesma lei revogou a regra que proibia exigir seguro rural como condição para o crédito de custeio (art. 1º, § 6º, da Lei 10.823/2003, hoje revogado). Muitos textos na internet ainda repetem essa proibição.

A lei nova não traz regra de transição para apólices contratadas antes da vigência. Nos processos julgados em 2025, com contratos e sinistros anteriores, o STJ ainda aplicou o art. 206, § 1º, II, do Código Civil, hoje revogado (STJ, AREsp 3.053.068, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, 2025). Para a apólice antiga com sinistro recente, enquanto os tribunais não definirem a questão, o mais seguro é contar o prazo pela regra mais curta.

Prazos do seguro agrícola, do aviso de sinistro à ação

Etapa Prazo Base legal
Avisar o sinistro prontamente, por qualquer meio idôneo art. 66, II, da Lei 15.040/2024
Informar a data da colheita, quando houver vistoria a antecedência mínima prevista na apólice art. 56, § 4º, II, da Lei 8.171/1991
Regular o sinistro que não depende da colheita até 15 dias do aviso art. 56, § 4º, III, da Lei 8.171/1991
Decidir sobre a cobertura até 30 dias da reclamação com os documentos, sob pena de a seguradora perder o direito de recusar art. 86 da Lei 15.040/2024
Pagar a indenização até 30 dias do reconhecimento da cobertura; no seguro rural, até 30 dias dos documentos ou da vistoria art. 87 da Lei 15.040/2024 e art. 56, § 4º, IV, da Lei 8.171/1991
Processar a seguradora (contrato sob a lei nova) um ano da ciência da recusa expressa e motivada art. 126, II, da Lei 15.040/2024
Processar a seguradora (contrato antigo) um ano da ciência da negativa art. 206, § 1º, II, do Código Civil, hoje revogado

Os 30 dias para decidir sobre a cobertura ficam suspensos quando a seguradora pede, de forma justificada, documentos complementares, no máximo duas vezes, ou uma só vez quando a importância segurada não passa de 500 salários mínimos (art. 86, §§ 3º e 4º, da Lei 15.040/2024). A autoridade fiscalizadora pode ampliar o prazo até 120 dias em seguros de apuração complexa (art. 86, § 5º, da Lei 15.040/2024). Atrasado o pagamento, incide multa de 2% sobre o valor devido, corrigido, além de juros e perdas e danos (art. 88 da Lei 15.040/2024).

Quando a apólice garante crédito rural, o banco pode exigir prazos de regulação e de pagamento menores que os da lei geral (art. 58, § 1º, III, da Lei 8.171/1991). Vale ler a apólice, porque o prazo contratado pode ser mais curto que o legal, e é ele que a seguradora terá de cumprir. Apurada parte do prejuízo, a seguradora deve adiantar, em até 30 dias, as quantias parciais já devidas (art. 77, parágrafo único, da Lei 15.040/2024).

Prazo para processar a seguradora: um ano, contado de quando?

Pela lei nova, o segurado tem um ano, contado da ciência da recepção da recusa expressa e motivada, para exigir a indenização (art. 126, II, da Lei 15.040/2024). O pedido de reconsideração suspende esse prazo uma única vez, e a suspensão cessa quando o segurado é comunicado da decisão final (art. 127 da Lei 15.040/2024). A seguradora não pode trocar depois o fundamento da recusa, salvo fato que desconhecia (art. 86, § 6º, da Lei 15.040/2024).

Nos contratos anteriores, julgados pelo Código Civil, o prazo também era de um ano para qualquer pretensão entre segurado e seguradora (STJ, REsp 1.303.374/ES, rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, 2021). No seguro agrícola, o STJ fixou que «a prescrição ânua não se inicia com a ocorrência do sinistro, mas com a negativa expressa da seguradora em honrar a cobertura securitária» (STJ, REsp 2.173.510, rel. Min. Humberto Martins, Terceira Turma, 2025). O pedido de indenização suspende o prazo até a ciência da negativa, nos termos da Súmula 229 do STJ, e o pedido de reconsideração não suspende (STJ, REsp 2.159.932 e REsp 2.112.932, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, 2025).

No Tribunal de Justiça de Mato Grosso há divergência entre Câmaras sobre a reanálise. A Terceira Câmara manteve o prazo suspenso diante de «efetiva reanálise do sinistro pela seguradora» (TJMT, Agravo de Instrumento 1009888-85.2026.8.11.0000, relatora Desª. Antônia Siqueira Gonçalves, Terceira Câmara de Direito Privado, j. 17/06/2026). A Quinta Câmara concluiu que «a reiteração do pedido de reanálise não suspende nem interrompe o curso do prazo» (TJMT, Agravo de Instrumento 1018993-23.2025.8.11.0000, rel. Des. Sebastião de Arruda Almeida, Quinta Câmara de Direito Privado, j. 22/07/2025). Quem conta com a suspensão arrisca perder o direito; o planejamento seguro é ajuizar dentro de um ano da primeira negativa.

O mesmo prazo vale para cobrar a diferença quando a seguradora paga menos do que a perda. Em seguro agrícola com pedido de complementação, o STJ teve por implementada a prescrição de um ano (STJ, AgInt no AREsp 2.500.084, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, 2024), e manteve, pela Súmula 83, o entendimento de que o termo inicial é «a ciência da recusa da seguradora ou do pagamento a menor» (STJ, AREsp 3.028.616, rel. Min. João Otávio de Noronha, Quarta Turma, 2025).

Por que a seguradora nega o seguro agrícola

As negativas costumam se apoiar em poucos fundamentos, e cada um tem resposta própria na lei:

  • plantio fora do zoneamento agrícola (ZARC), em data, solo ou cultivar diferentes dos indicados;
  • agravamento do risco, com a alegação de manejo deficiente ou corte de insumos;
  • aviso tardio do sinistro ou colheita antes da vistoria;
  • informação errada na proposta, como área, cultura ou data de plantio;
  • causa não coberta, quando a seguradora atribui a perda a evento excluído e não ao clima segurado;
  • cálculo da produtividade, quando a recusa é parcial e a indenização sai menor que a perda.

Plantio fora do ZARC

O zoneamento agrícola de risco climático (ZARC) é a delimitação do risco agroclimático no tempo e no espaço, usada para identificar regiões e épocas de menor risco e as cultivares mais adequadas (art. 2º, III, do Decreto 9.841/2019). O decreto não exclui cobertura por si; a exclusão vem da apólice. A cláusula que restringe direitos tem de estar redigida de forma clara e em destaque, sob pena de nulidade (art. 48, § 1º, da Lei 15.040/2024), e as cláusulas de exclusão são de interpretação restritiva, com a prova do fato a cargo da seguradora (art. 59 da Lei 15.040/2024).

O STJ não examinou o mérito dessa cláusula. No caso que chegou à Terceira Turma, manteve, pelas Súmulas 5 e 7, a decisão do TJSP que considerou válida a exclusão de cobertura para plantio fora do zoneamento (STJ, AgInt nos EDcl no REsp 2.058.172, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, 2023). A defesa do produtor passa por conferir a portaria do ZARC vigente para a safra, o município e a cultura, a data efetiva de semeadura, a parte da área que estava dentro do zoneamento e se a cláusula foi informada com destaque.

Agravamento do risco e manejo da lavoura

Pela lei nova, perde a garantia só quem agrava o risco intencionalmente e de forma relevante (art. 13 da Lei 15.040/2024), e, ocorrido o sinistro, a seguradora só pode recusar se provar o nexo causal entre o agravamento e a perda (art. 16 da Lei 15.040/2024). Decisões recentes, ainda sob as regras antigas, vão no mesmo sentido. O TJPR julgou ilegítima a negativa baseada na redução de custos de produção quando a queda de produtividade veio da seca coberta (TJPR, Apelação Cível 0001758-38.2023.8.16.0082, relatora Desª. Subst. Adriana de Lourdes Simette, 8ª Câmara Cível, j. 21/09/2026). O TJRS afastou exclusão por uso de sementes próprias sem registro tempestivo quando a estiagem foi a causa exclusiva da perda (TJRS, Apelação Cível 5001359-03.2024.8.21.0161, rel. Des. Mauro Caum Gonçalves, 5ª Câmara Cível, disponibilizada em 01/09/2026).

Aviso do sinistro e vistoria

O segurado deve avisar prontamente a seguradora e tomar as providências úteis para reduzir os efeitos do sinistro (art. 66, I e II, da Lei 15.040/2024). O descumprimento culposo não tira toda a indenização, só o valor equivalente aos danos decorrentes da omissão (art. 66, § 2º, da Lei 15.040/2024), e a sanção não se aplica se a seguradora soube do sinistro a tempo por outros meios (art. 66, § 3º, da Lei 15.040/2024). Apresentados elementos da perda, cabe à seguradora provar que a lesão não existiu ou não decorreu do risco coberto (art. 74 da Lei 15.040/2024).

A prova feita na época do sinistro costuma valer mais que a perícia tardia. Em ação contra seguradora de lavoura, o TJMT reconheceu «maior força probatória a documentos contemporâneos ao sinistro, em detrimento da perícia judicial realizada anos após o fato» (TJMT, Embargos de Declaração 1001739-53.2021.8.11.0040, rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha, Terceira Câmara de Direito Privado, j. 11/02/2026).

Informação na contratação

O produtor deve responder ao questionário da seguradora com as informações necessárias à aceitação e ao cálculo do prêmio (art. 44 da Lei 15.040/2024). Só o descumprimento doloso faz perder a garantia; o culposo reduz a indenização na proporção da diferença de prêmio (art. 44, §§ 1º e 2º, da Lei 15.040/2024). A seguradora, por sua vez, tem de alertar quais informações são relevantes e as consequências de omiti-las (art. 46 da Lei 15.040/2024), e responde pelo que declarou. Uma declaração da seguradora sobre cobertura anterior foi tida como vinculante desde a data nela mencionada, ainda que feita depois da apólice (STJ, REsp 2.189.140/SP, rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, j. 07/04/2026).

O Código de Defesa do Consumidor vale para o seguro agrícola?

Vale quando o produtor demonstra vulnerabilidade técnica diante da seguradora. O STJ admite o CDC nas relações securitárias com produtor rural, com inversão do ônus da prova, «quando demonstrada sua hipossuficiência técnica em face da seguradora» (STJ, AREsp 3.053.068, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, 2025). A Quarta Turma segue a mesma linha (STJ, AgInt no AREsp 1.973.453, rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, 2022). O TJMT trata o produtor que segura a própria lavoura como destinatário final do serviço securitário (TJMT, Agravo de Instrumento 1027522-31.2025.8.11.0000, rel. Des. Rubens de Oliveira Santos Filho, Quarta Câmara de Direito Privado, j. 03/09/2025).

Mesmo sem o CDC, a lei de seguros protege o segurado. Dúvidas e contradições em documentos da seguradora se resolvem a favor do segurado (art. 57 da Lei 15.040/2024), as condições particulares prevalecem sobre as especiais e estas sobre as gerais (art. 58 da Lei 15.040/2024), e o contrato não pode trazer cláusula que permita à seguradora extingui-lo sozinha (art. 9º, § 5º, da Lei 15.040/2024). Sob o CDC, as cláusulas também se interpretam a favor do consumidor (art. 47 da Lei 8.078/1990).

A seguradora tem de entregar o laudo e provar a exclusão

Negada a cobertura, a seguradora deve entregar ao produtor os documentos produzidos ou obtidos na regulação e na liquidação que fundamentam a decisão (art. 83 da Lei 15.040/2024). Peça por escrito o laudo de vistoria, as fotos, as planilhas de produtividade e o cálculo. A regulação e a liquidação cabem à seguradora, que decide sobre a cobertura ainda quando contrata regulador externo (art. 76 da Lei 15.040/2024). Havendo divergência entre a garantia da apólice e o modelo apresentado ao órgão fiscalizador, prevalece o texto mais favorável ao segurado (art. 9º, § 2º, da Lei 15.040/2024).

Com o laudo em mãos, o produtor compara a produtividade esperada, a colhida e a área atingida com as próprias provas. É nessa comparação que costumam aparecer os erros de cálculo das recusas parciais, como a área sinistrada medida a menor ou a produtividade de referência abaixo da média da propriedade.

Roteiro do produtor, do sinistro à ação

  1. Avise o sinistro logo pelo canal indicado na apólice, guarde o protocolo e anote a data.
  2. Documente a lavoura antes de colher. Reúna fotos georreferenciadas, vídeo, laudo de agrônomo, dados de chuva da região, imagens de satélite e o caderno de campo com as datas de plantio, a cultivar e as aplicações.
  3. Informe a data da colheita com a antecedência prevista na apólice, quando a vistoria for presencial (art. 56, § 4º, II, da Lei 8.171/1991), e não colha antes da vistoria sem registro por escrito.
  4. Entregue a lista de documentos pedida e guarde a prova da entrega, porque é dela que corre o prazo de liquidação.
  5. Exija a recusa por escrito, com os motivos, e os documentos da regulação (art. 83 da Lei 15.040/2024).
  6. Calcule o prazo de um ano pela regra aplicável à sua apólice, sem contar com suspensões discutíveis.
  7. Peça reconsideração quando houver erro corrigível, sabendo que, na lei nova, ela suspende o prazo uma única vez (art. 127 da Lei 15.040/2024).
  8. Ajuíze a ação no foro do seu domicílio, competente para as ações de seguro (art. 131 da Lei 15.040/2024), com pedido de perícia agronômica e, se cabível, de inversão do ônus da prova.

Seguro exigido pelo banco: as duas apólices e a venda casada

O banco que exige seguro rural como garantia do crédito rural deve oferecer ao produtor ao menos duas apólices de seguradoras diferentes, uma delas fora do seu conglomerado, e aceitar a apólice que o produtor contratar com outra seguradora habilitada (art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei 4.829/1965). A cédula deve trazer a prova de que a escolha foi oferecida (art. 25, § 3º, da Lei 4.829/1965). Sem essa oferta, o STJ tratou o seguro imposto como prática abusiva, que impede a cobrança dos prêmios (STJ, REsp 1.874.910, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, 2024). As regras do seguro ligado ao penhor de safra estão em arresto e penhora de safra.

A apólice pode integrar as garantias do crédito, com cessão fiduciária da indenização e o banco como primeiro beneficiário (art. 58, § 1º, I e II, da Lei 8.171/1991). Isso não tira do produtor o direito de cobrar a seguradora. O TJRS reconheceu a legitimidade do segurado mesmo com o banco como beneficiário (TJRS, Apelação Cível 5001359-03.2024.8.21.0161, rel. Des. Mauro Caum Gonçalves, 5ª Câmara Cível, disponibilizada em 01/09/2026).

Enquanto o seguro não paga, a dívida continua exigível. A existência de seguro ligado à cédula de crédito rural não retira do título a exequibilidade (STJ, AgInt no AREsp 2.144.537/GO, rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, 2023). Por isso o pedido de prorrogação da dívida deve andar junto com a cobrança do seguro; o caminho está em prorrogação de dívida por quebra de safra e, se o banco já executou, em defesa na execução de dívida rural. Quem arrenda a terra e perdeu a safra também precisa tratar do pagamento ao dono da área, assunto da página sobre revisão do arrendamento por quebra de safra.

Seguro agrícola e Proagro: qual cobre o quê

O seguro agrícola é contrato privado, com sociedade autorizada a operar em seguros pela SUSEP (art. 1º, § 1º, da Lei 10.823/2003), e a disputa se dá entre o produtor e a seguradora. O Proagro é programa público administrado pelo Banco Central (art. 66-A da Lei 8.171/1991), que exonera o produtor de obrigações do custeio rural ou indeniza recursos próprios quando há perdas por fenômenos naturais, pragas e doenças (art. 59 da Lei 8.171/1991). Pela orientação do Banco Central ao beneficiário, o Proagro não cobre a lavoura que já tem seguro contratado. O recurso e a ação no Proagro têm regras próprias, explicadas em Proagro negado.

Como o escritório atua

O escritório atua para o produtor desde o aviso do sinistro. Confere a apólice e as condições gerais, organiza a prova da perda, calcula o prazo pela regra aplicável e conduz a reconsideração e a ação de cobrança. Também revisa a contratação feita junto com o crédito rural, quando houve seguro imposto sem a oferta das duas apólices. A equipe atende a partir de Sinop (MT), Belém (PA), Brasília (DF), Novo Progresso (PA) e Rio de Janeiro (RJ), e a distância.

Se a seguradora negou o seu seguro ou pagou menos do que a perda, separe a apólice, as condições gerais, o aviso de sinistro, o laudo de vistoria e a carta de recusa. A primeira análise é a data da recusa, porque é dela que corre o prazo de um ano. Outras questões de contrato e de safra estão na página de advogado cível do agronegócio.

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Perguntas Frequentes

Quanto tempo a seguradora tem para pagar o seguro agrícola?
Reconhecida a cobertura, a seguradora tem até 30 dias para pagar (art. 87 da Lei 15.040/2024). No seguro rural, a apólice deve prever liquidação em no máximo 30 dias, contados da entrega dos documentos ou da vistoria, o que ocorrer por último (art. 56, § 4º, IV, da Lei 8.171/1991). Se atrasar, paga multa de 2% sobre o valor corrigido, além de juros e perdas e danos (art. 88 da Lei 15.040/2024).
O pedido de reconsideração suspende o prazo do seguro?
Na lei nova, sim, uma única vez, e a suspensão termina quando o segurado é comunicado da decisão final (art. 127 da Lei 15.040/2024). Nos contratos anteriores, regidos pelo Código Civil, o pedido de reconsideração não suspende o prazo de um ano (STJ, REsp 2.112.932, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, 2025). Na dúvida sobre o regime da sua apólice, ajuíze dentro de um ano da primeira negativa.
Plantar fora do ZARC tira o direito ao seguro?
Depende da apólice. O Decreto 9.841/2019, que organiza o zoneamento agrícola, não exclui cobertura por si; a exclusão vem do contrato, e a cláusula precisa ser clara e destacada (art. 48, § 1º, da Lei 15.040/2024). Confira a portaria vigente para o município e a cultura, a data real de semeadura e se parte da área estava dentro do zoneamento, porque a recusa pode não alcançar toda a lavoura.
O banco pode obrigar o produtor a fazer seguro agrícola no custeio?
A proibição de exigir seguro rural para o crédito de custeio, que estava no art. 1º, § 6º, da Lei 10.823/2003, foi revogada pela Lei 15.526/2026. O banco que exige a apólice como garantia, porém, deve oferecer ao menos duas, de seguradoras diferentes, e aceitar a contratada pelo produtor com outra seguradora habilitada (art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei 4.829/1965). Sem essa oferta, a contratação pode ser questionada como venda casada.
Seguro agrícola pago a menor pode ser cobrado na Justiça?
Pode. A diferença entre a perda e o valor pago se cobra no mesmo prazo de um ano, que começa na ciência da recusa ou do pagamento a menor (STJ, AREsp 3.028.616, rel. Min. João Otávio de Noronha, Quarta Turma, 2025). A seguradora deve apresentar de forma fundamentada o valor apurado e não pode mudar o cálculo depois, salvo fato que desconhecia (art. 87, § 6º, da Lei 15.040/2024).
Onde processar a seguradora do seguro agrícola?
No foro do domicílio do segurado ou do beneficiário, que é o competente para as ações de seguro; o segurado pode, se preferir, ajuizar em qualquer domicílio da seguradora ou de agente dela (art. 131 da Lei 15.040/2024). Para o produtor do interior, isso permite litigar na própria comarca. A ação pede a indenização com correção e juros e, havendo atraso, a multa de 2% prevista no art. 88 da Lei 15.040/2024.
A seguradora pode negar o seguro alegando falha no manejo da lavoura?
Só se provar que houve agravamento intencional e relevante do risco e que ele causou a perda (arts. 13 e 16 da Lei 15.040/2024). Em negativa fundada na redução dos custos de produção, a recusa foi considerada ilegítima porque a queda veio da seca coberta (TJPR, Apelação Cível 0001758-38.2023.8.16.0082, relatora Desª. Subst. Adriana de Lourdes Simette, 8ª Câmara Cível, j. 21/09/2026). O laudo agronômico feito na época é a prova central.
Qual o prazo para a seguradora responder o aviso de sinistro agrícola?
Pela lei geral, a seguradora tem até 30 dias para se manifestar sobre a cobertura, contados da reclamação com os documentos necessários, sob pena de perder o direito de recusar (art. 86 da Lei 15.040/2024). No seguro rural, a apólice deve prever regulação em até 15 dias do aviso, quando a vistoria não depender da colheita (art. 56, § 4º, III, da Lei 8.171/1991). Pedidos justificados de documentos complementares suspendem o prazo, com limite de vezes.

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Especialização exclusiva

Escritório dedicado 100% ao Direito Ambiental e do Agronegócio.

7 anos no Tribunal

O titular atuou como servidor do TRF-1 antes da advocacia.

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Autor de Embargos Ambientais em Áreas Rurais, único livro do Brasil sobre o tema, e coautor de Cadastro Ambiental Rural: direito, prática e tecnologia.

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