TRF6: falta de ADA não impede excluir APP da base de cálculo do ITR
SEC.GAB.42 (Des. Federal SIMONE DOS SANTOS LEMOS FERNANDES)
A União/Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal para cobrar crédito de Imposto Territorial Rural (ITR) de um proprietário rural, que opôs embargos à execução sustentando a existência de área de preservação permanente no imóvel a ser excluída da área tributável. Em primeiro grau, os embargos foram julgados procedentes, com declaração de nulidade do crédito tributário e extinção da execução fiscal. A União apelou, alegando que o contribuinte não teria comprovado a área de preservação permanente mediante apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
Discutiu-se se a ausência ou a entrega intempestiva do Ato Declaratório Ambiental impede a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Também se examinou se a exigência do ADA, prevista apenas em instruções normativas da Receita Federal, pode afastar o benefício fiscal estabelecido diretamente pela Lei nº 9.393/1996.
A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, por unanimidade, negou provimento à apelação da União e manteve a sentença que julgou procedentes os embargos à execução fiscal, declarou a nulidade do crédito tributário e extinguiu a execução. O colegiado entendeu que a exigência do ADA decorre de instruções normativas e extrapola os limites da legalidade tributária, de modo que sua ausência ou entrega intempestiva não afasta a exclusão legal das áreas de preservação permanente.