STJ nega recurso sobre caça profissional e prova digital em vídeos de YouTube
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Um homem foi condenado, em continuidade delitiva, por 38 delitos de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e por 37 delitos de caça ilegal de animais silvestres, com a causa de aumento relativa ao exercício de caça profissional. A acusação apontou a prática reiterada de caça de espécimes da fauna silvestre, como cotias, jaós, juritis, galinhas-d'água, caititu e veado, em zona rural de Tocantinópolis (TO), com registros divulgados em canal de plataforma de vídeos. A pena definitiva foi fixada em 6 anos, 1 mês e 10 dias, em regime inicial semiaberto, além de 67 dias-multa.
Discutiu-se se a ausência de perícia técnica formal nos vídeos divulgados na internet e a alegada quebra da cadeia de custódia da prova digital — por falta de cópia bit a bit e de verificação por código hash — tornariam imprestável o conjunto probatório que sustentou a condenação. Também se questionou a incidência da causa de aumento de pena da caça profissional, prevista no art. 29, § 5º, da Lei nº 9.605/1998.
Em decisão monocrática, a relatora conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Entendeu-se que a perícia era dispensável diante da suficiência dos demais elementos probatórios e que não houve demonstração concreta de adulteração da prova digital. A revisão da caça profissional foi barrada pela Súmula nº 7 do STJ, por demandar reexame de fatos e provas.